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Tomorrowland: teve vibe de festival no ambiente digital?

Deu bom ou deu ruim?

Tomorrowland Around the World
Visão de um dos palcos do Tomorrowland Around the World

Por: Rodrigo Airaf*

O fim de semana que passou foi marcante para muitos fãs de música eletrônica. Foi hora do Around the World, o festival digital do Tomorrowland. Em uma iniciativa de proporções históricas e seguindo o protocolo atual do mundo em pandemia — stay home, stay safe — mais de 1 milhão de pessoas conferiram a história contada pelo megafestival que criou um ambiente virtual, uma ilha fictícia chamada Papilionem. 

Oi, lindeza

A jornada custou em média 20 euros pra cada pessoa, desconsiderando os pacotes com encomendas físicas, como bandeiras e eletrônicos JBL. Não é um valor inacessível para o que é oferecido, mas mostra, de certa forma, a moral da marca, a moral pra cobrar, mesmo que isso seja apenas uma escolha (alô, Awakenings!). Por enquanto ainda não vimos crescer um costume de pagar por performances online (até porque estamos sobrecarregados de opções, a economia ruiu e “a curva das lives achatou”) mas isso me faz pensar como as cenas mais independentes vão sobreviver pré-vacina agora que só possuem o digital — uma pauta próxima, quem sabe. 

Voltando a Papilionem: o festival apresentou uma série de experiências dentre 17 áreas que representam, o máximo possível, o que é o Tomorrowland. É um fenômeno, é um conto de fadas; seu tom de voz é positivo e fomenta união global pela cultura da música eletrônica. Coerente com isto, o evento não pareceu focar em fisgar novatos — quase tudo estava ali pra quem já era “the people of tomorrow” — mas em se esbaldar na sua própria identidade, falar de música eletrônica, gastronomia, filantropia e de si próprio de forma mais mundi possível. Pega aqui o “organograma”, amigo do amanhã. 

 
 

Difícil é não criar expectativas em cima dessa produção que já pude prestigiar duas vezes no Brasil e uma na Bélgica. Se já estávamos vendo líderes quebrando barreiras há alguns meses com soluções de entretenimento inovadoras para o contexto em que estamos — desde grandes eventos em cines drive-in até a marcante apresentação do Travis Scott no Fortnite — o Tomorrowland sabe muito bem em qual terreno vai pisar quando decide realizar um evento. 

Quiz virtual que dava vantagens na lojinha online. “Como assim não foi o Alok que anunciou o Tomorrowland Brasil em 2014”? (Brincadeirinha)

Na real, na web marcas como o Tomorrowland poderiam fazer grana toda semana, se quisessem. O festival europeu tem a confiança incondicional por parte do do público, ciente de que as entregas serão acima do esperado, e isso permitiu que a produção investisse bem para manter a marca viva e construir, em apenas três meses, um ecossistema produtivo que incluiu equipe com mais de 200 profissionais e 4 estúdios de gravação pelo mundo, com até 38 ângulos/câmeras diferentes por palco.

Mais de 300 terabytes de material bruto foram coletados pra que tudo rodasse em diferentes mecanismos de renderização durante 4 semanas. Nesse sentido o “rolê digital” do Tomorrowland entra para a história e pavimenta um caminho interessante para outras marcas à proporção que o mundo aumenta a demanda pela virtualização de experiências. Já parece, então, praticamente impossível imaginar um Tomorrowland sem o festival digital, mesmo após o fim a pandemia. Serão contemplados tanto quem pode estar na Bélgica quanto quem perdeu lugar na fila do almejado ingresso.

No que deu?

Em termos de lineup, foi dentro do esperado. Digo, não somente porque as opções do Tomorrowland costumam ser meio que a mesma coisa ano a ano, mas, convenhamos: se você é fã do evento, não larga uma edição por conta disso. Algumas surpresas, entretanto, como Katy Perry e Eric Prydz, fizeram-se presentes além de boas performances dos sempre aclamados Tiësto, Charlote de Witte, David Guetta (com o projeto Jack Back) e Amelie Lens — citando somente alguns. 

Em termos de experiência digital, apontar falhas é complicado no tempo de agora. Estamos essencialmente todos improvisando. Da mesma forma que a maioria dos países ocidentais estava despreparada para a pandemia mesm diante da ameaça da família coronavírus há mais de uma década, não deve ser fácil para qualquer equipe da indústria do entretenimento entender, em algum momento, que terão que cancelar um festival e reformulá-lo do zero.

Por isso, todas as iniciativas que se destacaram de uns tempos pra cá são relevantes. Mas quando somos jogados numa realidade de isolamento social não dá pra não pensar no que todos podemos fazer sobre ela mesma, a CARENTEna. O pioneirismo do Tomorrowland Around the World se dá em vários aspectos, mas ao procurar formas de interagir no festival eu me senti como o Armin van Buuren no terreno vazio do Tomorrowland em Boom, na Bélgica: 

“Cadê todo mundo?”

Eu entendo e procuro valorizar toda a tara pelos cenários virtuais. Mas me chama a atenção que isso não venha conectado a alguma forma de interação complementar aos bonecos 3D. Tentei me separar ao máximo das experiências mais recentes com festas no Zoom, mas, acho que é isso: não deu, ainda, pra sentir vibe de festival. Tudo isso porque praticamente toda a interação do público no Tomorrowland rolou externamente, inserida nas plataformas das redes sociais já conhecidas. Isso quebra um pouco a dinâmica pra quem queria uma experiência virtual que relembrasse a “real/oficial” e que fosse um pouco mais orgânica no ambiente presente. Vozes que simulam o real e não vozes reais são um investimento? 

Não só nos palcos, havia espaço para muito mais conexões em áreas como a de gastronomia, receitas de drinks e sessões de inspiração, mesmo que realisticamente seja bem complicado ter uma estrutura que dê conta da quantidade enorme de participantes. Essencialmente, navegar pelo Tomorrowland Around the World foi muitas vezes instigante, e noutras fez sentir como uma forma mais inovadora de navegar por playlists em um canal do YouTube. Sinto falta, sim, do fator humano, de ter onde ver gente dançando e se conectando e não tanto um conjunto de conteúdos upados na nuvem. 

 

Tá, mais 5 minutos disso e serei obrigado a voltar para o Whatsapp.

 

Talvez esse item já esteja na lista de aprimoramentos do Tomorrowland, pois a marca é uma plataforma de experiências e provou ter recursos para ir fundo em tecnologias para entretenimento digital. E é certo que não dá pra avaliar algo se baseando tanto em como as coisas eram em carne e osso. Pessoalmente, não me senti tão inspirado sem um peso real da participação da comunidade, de quem vibra pra assistir e participar daquilo juntos, encontrando as diferentes tribos e, por que não, os círculos de apoio.  

No fim das contas, algo me diz que tudo aquilo, por mais incrível que fosse, poderia ter sido um Zoom. Mas, no fim, também se trata do Tomorrowland e, né, como não amar?

*Rodrigo Airaf é colaborador do DDROP.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Avatar

    Rodrigo

    29 de julho de 2020 at 00:42

    Foi um belo festival, na minha visão muito melhores que simples lives porque teve a vibe de diferentes palcos adaptados para sua vertente. Ainda mais considerando que criaram a plataforma do 0 com um prazo curto, considerando que a pandemia começou em Março.
    Realmente para quem tá acostumado com os festivais presenciais o fato de interação foi o que realmente faltou, mas entendo não ter ainda porque essa interação ao vivo mais próxima, talvez com cada um criando seu próprio avatar para ter contato com outro exigiria um servidor muito poderoso para suportar 1 milhão de pessoa.
    Mas esse é o ponto a melhorar caso queiram uma nova edição.
    Para mim, também, foi um resultado positivo

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